terça-feira, 21 de julho de 2009

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

A noite do teu beijo

Adormeci inquieta.
Embalada por fragmentos de um ardor acumulado...
aproximei-me do delírio.
Ela sussurra Contentamento.
Eu,grito por demência prazerosa.
O desejo,compartilhamos com devida intensidade.
Quando mãos famintas pelo consumir se encontram...
é preciso se desfazer.
Deixar-se chama no fogo desconhecido.
E entrelaçei-me na fuga da noite.
A senti esvaecendo com um brando furor.
Nesse meu equilíbrio,sou todos os amantes a saciar o requinte da loucura.
Minha querida...
demora-te no arrebatar da minha febre.
Assim,do meu passo mais disforme...
a faço dançar de acordo com o perder do momento.

*DC

sábado, 11 de julho de 2009

sossego inquieto

.Posso na mesma noite,ao rasgar de todos os dias,reclamar.
Reproduzir insatisfação é quase como respirar.
E submeter-me á dôr de sentir falta é como o piscar dos olhos.
Eu tinha o ranger de tua derrota que me confortava.
Tua essência se entregando á minha fome era de certa forma,espetacular.
Mas aí tropecei,como de costume.
Dessa vez,mal saberia eu que poderia tal me deixar a rastejar tormento por um longo decorrer dos dias...
e por uma demorada aflição de noites insones.
E fugi.
Não a vejo mais.
Não temo encontrar-te pelas ruas em que caminho.
Mantive os punhos fechados e o peito ainda a sangrar.
Uma ou outra distração,e ninguém,supera teu vazio que tanto me preencheu.
Erguendo equilíbrio,veio-me laços sutis de um sossego inquieto.
Ele estendeu a mão oferecendo-me carinho.
- Mais um - pensei.
Canso-me dessas miseráveis almas que se dispõe a me amar.
Lhes dou carinho quase movido apenas por certa fome irracional e...
acabam por almejar o impossível.
És um tolo.
o sossego inquieto.
E proclamou despedida.
Porque não sabe lidar com o desprezo.
Eu o cuspo,meu caro.
Covarde,ele argumenta com plena destreza.
Sua aptidão para disfarçar fracasso é quase que belamente plausível.
E sinto sua falta,com uma dôr patética.
Ela?
Pulsa em meu peito qualquer sentimento que possa me fazer deplorar.
Ainda a guardo,como a náusea a ser sentida sempre,diante o receio da verdade.
Mas você,perversa calmaria...sossego inquieto...
guardo na esperança frustrada da revolta.

- Anda-te ao meu lado e lhe faço virtude hipócrita. -

*DC

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Numa tarde de julho...




Um respirar me despertou da noite insone.
Era tua canção.
dois ou três acordes apenas e lhe vi sendo neblina.
Sutilmente caiu no infinito.
Deixou-me a observar.
Nem tempo tive de lhe contar que...
estou desperta para um novo olhar.
Nos meus acessos incansáveis do desejo,lhe digo...
estou aqui,ás vezes,quase protegida do sopro que se acolhe no frio.
Cá estou,a deixar-me caos em uma desconhecida calmaria.
Sem o acaso,o que seria da sanidade afinal?

*DC

sábado, 4 de julho de 2009

...da tempestade que não cessa

.ás vezes.
.infinitamente mais densa.
.é o vinho,penso.
.o livro,aberto na página vazia...
expressa palavras com texturas devidamente indelicadas.
é a canção.
ouço.
O sopro da vida é escasso.
A estafa submete-se ao torpor.
Na chuva que me cansa,lhe vejo nua a me despir intensa.
é a ausência.
minha e tua.
nossa.
deles.
Daquilo que me conserva reclusa...
invisível transpareço dança muda.
passo disforme.
Exausta.
a recusa do apelo...
e o silêncio do amargo.

*DC

terça-feira, 9 de junho de 2009

O músico grego.



- - -





...deixa eu contar que volto andando do trabalho.
e normalmente já é quase madrugada.
Madrugada dessas,voltava então da labuta,no frio,numa neblina tímida e um frio denso.
Um senhor a aparentar trapos oferece-me uma vela,a compro por míseros 0,50 centavos.
Dessa troca surgem palavras.
Ele me contara que é de origem grega.
Um senhor deveras intelectual,eu notava.
Deveras.
A madrugada decorria e eu escutava com certa atenção o senhor que de uma perna mancava.
É músico.
Dissera tal com empolgação,enfatizava ser profissional e que havia gravado um cd.
Pensei em dar-lhe minhas luvas.
Pensei em contar-lhe de verdade onde trabalho para que fosse lá algum dia.
Dizia que se um dia fôssemos á Atenas,ele faria questão de ser meu guia turístico.
Contou até mesmo sobre as marcas d'água no seu passaporte.
"É original,é original mesmo!"
Citou até palavras em grego,mas como desconheço tal,não posso afirmar que foram verdadeiras.
Sendo engano ou não,me fascinou.
Se talvez não estivesse tão frio.
Se minha mente não estivesse a pensar tantas preocupações que me deixam insone.
Se talvez e quem sabe...
eu apenas estivesse "andarilha" como ele...
com devida certeza lhe chamaria para um café num esquina pseudo-vagabunda para que eu o ouvisse...
por horas e horas.
Mas como até os acasos tem limites...
então que o seja.
Esse pequeno suficiente me deixou a sorrir.
Pouco.
Mas o fez.
- Marius - Bruce - boa sorte nessa vida meu caro.
Mesmo tal sendo tão ingrata.


- --

terça-feira, 5 de maio de 2009

A diversão do pesar

Acordei em outro lugar.
Longe de ti.
Pensei em suportar essa distância.
Mas,não há esquecimento.
Permanece,quase como um pesadelo a me tirar o sono.
O descartável por aqui sequer merece algum princípio de distração.
Sinto um vazio maior,por muitas vezes.
As canções são mais densas.
O silêncio do ardor me entorpece de tristeza impulsiva.
Beijo o lábio da puta exausta e a humilho com minha falta de prazer.
Me consolo apenas por estar longe do lugar em que me desfiz.
A fuga prolonga meu pulsar asqueroso por sua pessoa.
Mereço estar presa á esse sentir,eu bem sei disso.
Qualquer noite parece mais fria quando lembro dos sonhos compartilhados.
E tudo que eu lhe diria se eu fosse menos humana seria...
que odeio lhe amar como a amo.

*DC